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TDE no transporte: o que é a taxa de dificuldade de entrega e quando cobrar

Imagine esta entrega: o motorista chega às 7h40, o recebedor só libera a doca às 10h e pede a carga separada por pedido. O frete foi o combinado, a mercadoria foi entregue, e a transportadora gastou duas horas e vinte que ninguém previu. A taxa de dificuldade de entrega, a TDE, existe para esse dia.

Homem de boné azul e uniforme bege segura uma prancheta e olha para o lado, diante de um portão de doca com o número L5 e ao lado da traseira de uma van branca
No recebimento, agendamento e conferência por pedido fazem a entrega durar mais do que o frete previu.

TDE no transporte é a taxa de dificuldade de entrega: um valor a mais que a transportadora cobra quando a entrega exige mais tempo, mais gente ou mais etapas do que o frete previa.

Nenhuma lei define a TDE nem fixa o valor dela. Na prática do setor, ela se sustenta quando está escrita no contrato, na proposta comercial ou no CT-e e a transportadora consegue provar o que dificultou.

O que a taxa TDE cobre

O que entra na TDE muda de uma transportadora para outra. A lista abaixo é a que o Brudam TMS usa como referência para configurar a taxa, e o que vale para o seu cliente é o que o contrato dele listar.

  • AgendamentoO recebimento só acontece em janela marcada, e a rota se ajusta a ela.
  • Recebimento por ordem de chegadaO veículo entra na fila do destinatário e espera a vez.
  • Descarga ineficienteO processo do cliente é lento e o veículo fica parado por longos períodos.
  • Separação no recebimentoO cliente exige separar os produtos na hora da descarga.
  • Mão de obra extraA carga ou a descarga pede mais gente do que a equipe levou.
  • Recusa de mão de obraO cliente não oferece ajuda para descarregar.
  • Outras exigências contratuaisQualquer condição combinada que eleve o custo operacional da transportadora.

Quase tudo ali é tempo parado ou trabalho a mais no destino. Para uma parte disso, a espera longa na descarga, existe outra cobrança, essa sim com regra em lei.

Qual cliente seu mais segura o caminhão na descarga?

Cadastre esse cliente no teste e veja a TDE entrar na composição do frete, sem planilha paralela.

Testar grátis
  • Cliente pagador e destinatário ligados à taxa
  • Faixas de peso e tarifa mínima na tabela
  • Ocorrência registrada com a causa da espera

TDE, estadia, TDA e TRT: quatro cobranças que se confundem

As quatro aparecem na mesma proposta e pesam no bolso do embarcador, mas nascem de lugares diferentes. Só uma delas tem valor fixado em lei.

TDE

Taxa de dificuldade de entrega

Nasce do contrato

Cobre entrega que exige mais tempo, gente ou etapas. O valor é negociado. Como referência, o SETCESP sugeriu em abril de 2025 cobrar 40% sobre o frete original, ou R$ 221,98 por conhecimento nos fretes de até R$ 554,96.

Estadia

Tempo adicional de carga e descarga

Nasce da lei

A Lei 11.442/2007 dá 5 horas para carregar ou descarregar, contadas da chegada ao destino. Depois, é devido ao transportador R$ 2,50 por tonelada/hora ou fração, valor atualizado pela ANTT em 2026.

TDA

Taxa de dificuldade de acesso

Nasce do contrato

Aparece em algumas tabelas para local de acesso difícil: via sem pavimentação, balsa, içamento. O alcance se sobrepõe ao da TDE, e o SETCESP descreve a TDE como comum em áreas urbanas com restrição de acesso. Leia a definição no contrato.

TRT

Taxa de restrição ao trânsito

Nasce do contrato

Vale quando leis municipais de restrição de circulação afetam o transporte. A configuração está no post TRT: taxa de restrição ao trânsito.

Fontes: Revista SETCESP, “Generalidades no frete”, 24/07/2025 (valores de referência de abril de 2025, não são tabela oficial); Lei 11.442/2007, art. 11, §§ 5º e 6º; ANTT, Nota Técnica SEI nº 4102/2026. Conferidas em 16/10/2026.

Quanto de espera o seu financeiro absorve sem cobrar?

  • Entregas com agendamento
  • Descarga por ordem de chegada
  • Separação no recebimento
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Onde a lei começa a contar a espera

A estadia segue um relógio. A TDE não. A lei só começa a contar valor depois da quinta hora de carga ou descarga. A TDE cobre o que o contrato listou, a qualquer hora, inclusive uma entrega que levou 40 minutos mas exigiu separar pedido por pedido.

A espera na descarga, hora a hora

Prazo de carga e descargaEstadia: R$ 2,50 por tonelada/hora
0 h chegada ao destino5 h o valor começa a correr

A TDE não usa esse relógio. Ela não depende de a espera passar de cinco horas: depende de o contrato prever a situação e de ela ter acontecido.

Veja a conta da estadia para um veículo com capacidade de 12 toneladas, que ficou 8 horas entre a chegada e o fim da descarga. A lei considera a capacidade total do veículo, não só o peso que ele levava.

3 hacima das 5 h
×
12 tcapacidade do veículo
×
R$ 2,50por tonelada/hora
=
R$ 90,00de estadia

Exemplo da Brudam, com o valor da ANTT. Não é uma cobrança real.

O horário de chegada decide essa conta. A lei manda embarcador e destinatário informarem o horário ao transportador em campo específico do DT-e, sob multa da ANTT de até 5% do valor da carga art. 11, § 9º. Sem horário registrado, a estadia vira discussão de relógio.

Como cobrar a TDE sem virar disputa com o cliente

O SETCESP descreve essas taxas como justificadas e negociáveis, e diz que muitos embarcadores as aceitam desde que fundamentadas. Fundamentar, na prática, são três coisas.

  1. Estar escrita antesNo contrato, na proposta comercial ou no CT-e. Taxa que aparece só na fatura nasce contestada.
  2. Ter prova do que houveTempo parado, endereço, laudo: o que mostra a dificuldade. A ocorrência de entrega com a causa, e não só o código, é essa prova.
  3. Cair no lugar certoA TDE vale para um destinatário específico, não para o cliente inteiro. Cobrar de quem não a combinou reabre a negociação.

Nossa leitura, e isto é opinião e não regra: a TDE sem prova é a primeira linha que o financeiro do cliente corta na conferência da fatura. Quem cobra com ocorrência registrada discute o valor. Quem cobra sem ela discute se a taxa existe.

Como configurar a TDE no Brudam TMS

No Brudam a taxa é configurada em dois lugares: primeiro no cadastro do cliente e do destinatário, depois na tabela de frete, no trecho que a minuta vai usar.

  1. Cadastro, menu Principal, atalho 402 “Clientes com TDE”

    Inclua o cliente pagador que terá a taxa na composição do frete. Em seguida, informe o CNPJ de cada destinatário e clique no botão “+”. É possível incluir mais de um. Depois, salve.

    Tela 402, Vincula Cliente e TDE com a busca por cliente e destinatário e o botão IncluirJanela Consulta TDE com o cliente, o campo para incluir o CNPJ do destinatário e a lista de destinatários

Configure a TDE do seu cliente mais difícil no teste e confira a taxa na composição do frete.

Testar grátis
  1. Comercial, menu Tabelas, atalho 028 “Ver tabelas”

    Abra a tabela de frete que será usada na minuta. No exemplo da imagem, a tabela de código 322.

    Tela 028, Tabelas de Fretes com a tabela de código 322 na pesquisa
  2. Marque o parâmetro “Taxa TDE”

    Na composição da tabela, a opção “Taxa TDE” precisa estar marcada para o item aparecer.

    Composição da tabela de frete com a opção Taxa TDE marcada
  3. Preencha o item 24, “Taxa TDE”

    Informe peso inicial, peso final, tarifa mínima, peso franquia e peso excedente, de acordo com a taxa combinada. Pronto: cliente e destinatário passam a ter a TDE na composição do frete.

    Item 24. Taxa TDE da tabela de frete com peso inicial, peso final, tarifa mínima, peso franquia e peso excedente

Para a cobrança ter prova, registre a ocorrência com a causa, e não só o código. O texto ocorrência de entrega: como registrar a causa mostra o que vale anotar na hora.

O que a TDE não resolve

A taxa recupera custo, não tempo. O veículo continua parado na doca do cliente, a rota seguinte atrasa e a próxima entrega espera. Quem quer reduzir a espera precisa de agendamento combinado e de dado sobre quais destinatários seguram a descarga, e a TDE é só uma parte disso.

Quem confere a fatura encontra ainda outra sigla perto destas, o GRIS, que paga o gerenciamento de risco e é calculado sobre o valor da nota. Ele tem texto próprio: GRIS no transporte: o que significa, quanto se cobra e como calcular.

Esta página não substitui o contrato nem orientação jurídica, e não trata da tributação da taxa. O valor de referência do SETCESP é de abril de 2025 e muda conforme a região e a negociação.

Três passos no teste, com a sua operação

  1. Escolha o destinatário que mais atrasa a descarga.
  2. Ligue a TDE ao cliente pagador e à tabela.
  3. Registre uma ocorrência com a causa e veja a taxa no frete.
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Perguntas frequentes sobre TDE

O que é TDE no transporte?

TDE é a taxa de dificuldade de entrega: um valor adicional que a transportadora cobra quando a entrega exige mais tempo, mais gente ou mais etapas do que o frete previa, como agendamento, descarga por ordem de chegada ou separação de produtos no recebimento. Ela vem do contrato, não de lei.

A TDE é obrigatória por lei?

Não. A TDE não aparece na Lei 11.442/2007, que regula o transporte rodoviário de cargas (busca no texto do Planalto em 16/10/2026). Ela só vale entre as partes que a combinaram. O SETCESP recomenda que a cobrança esteja prevista em contrato, proposta comercial ou CT-e e possa ser comprovada.

Quanto se cobra de TDE?

O valor é negociado e muda por transportadora e região. Como referência, o SETCESP sugeriu em abril de 2025 cobrar 40% sobre o frete original, ou R$ 221,98 por conhecimento nos fretes de até R$ 554,96. É uma sugestão de associação, não tabela oficial.

Qual a diferença entre TDE e estadia?

A estadia tem valor fixado em lei: depois de 5 horas de carga ou descarga, é devido ao transportador R$ 2,50 por tonelada/hora ou fração (Lei 11.442/2007, art. 11, e atualização da ANTT em 2026). A TDE não segue esse relógio e depende do que o contrato previu.

TDE e TDA são a mesma taxa?

Os nomes se sobrepõem. A TDA, taxa de dificuldade de acesso, costuma tratar de local difícil de alcançar, e a TDE, de entrega difícil de concluir. O alcance muda de tabela para tabela, e o SETCESP descreve a TDE como comum em áreas urbanas com restrição de acesso. Vale a definição escrita no contrato.

Quem paga a TDE?

Paga o cliente definido no contrato como pagador da taxa. No Brudam TMS, a TDE é ligada ao cliente pagador e ao CNPJ do destinatário no atalho 402, e entra na composição do frete pela tabela configurada no atalho 028.

Como configurar a taxa TDE no Brudam TMS?

Em dois lugares: no Cadastro, menu Principal, atalho 402 “Clientes com TDE”, inclua o cliente pagador e os CNPJs dos destinatários; depois, em Comercial, Tabelas, atalho 028 “Ver tabelas”, abra a tabela, marque “Taxa TDE” e preencha o item 24 com as faixas de peso e a tarifa.

Sobre esta página. Reescrita em 16 de outubro de 2026. Normas e referências conferidas em 16 de outubro de 2026: Lei 11.442/2007, no Planalto; tempo adicional de carga e descarga, na ANTT; Generalidades no frete, no SETCESP. As telas de configuração vêm da base de ajuda da Brudam. Conteúdo informativo, que não substitui o contrato nem orientação jurídica.

Cliente Brudam com dúvida na configuração: suporte em Porto Alegre (51) 3500-7018, Curitiba (41) 3891-0865, São Paulo (11) 4858-0865, Brasília (61) 3686-0865, Salvador (71) 2886-0835. Plantão para emergências operacionais: (51) 9.9156-8029.

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