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Para quem lê o relatório de segunda

O seu relatório de ocorrências de entrega diz quantas falharam. Ele não diz por quê, e é por isso que a semana que vem vai ser igual.

“Cliente ausente” descreve o desfecho, não o motivo. Sem essa distinção, a entrega é refeita e o mesmo desfecho volta.

O que é ocorrência de entrega?

Ocorrência de entrega é o registro do que aconteceu quando a entrega não se concluiu como previsto: destinatário ausente, recusa, endereço não localizado, avaria, falta de volume, restrição de horário. Ela tem duas funções, e só uma costuma ser cumprida: informar o cliente, e explicar a causa para que a entrega seguinte não repita o mesmo desfecho.

O gerente abre o relatório da semana. Cento e poucas ocorrências, e a maior fatia num código só. Ele olha para o número e não consegue fazer nada com ele. Pergunta ao time, e o time responde por memória: “aquele cliente do interior é sempre complicado”. São informações boas, e não estão em lugar nenhum. Vão sair da reunião e voltar para a cabeça de quem falou.

Os três campos

O que precisa constar no registro de uma ocorrência?

Campo 1

O resultado

O que aconteceu com a entrega: concluída, concluída com ressalva, não concluída. São poucos estados e eles são objetivos.

É o que o cliente precisa saber e o que a integração com o embarcador costuma exigir.

Campo 2

A causa

Por que aconteceu. É a informação que só existe no local, e a que resolve o problema da próxima vez.

“Não concluída” por estabelecimento fechado é uma coisa; por endereço não localizado é outra completamente diferente. As duas vivem no mesmo código hoje.

Campo 3

O responsável pelo custo

De quem é a nova tentativa. É o campo mais ausente e o mais caro.

Sem ele, a reentrega é sempre absorvida pela transportadora por padrão, do mesmo jeito que a divergência sem conferência de carga registrada.

Por que o código genérico existe

Ele é o mais rápido de escolher

Quem escolhe está na rua, com pressa, no fim de um dia de entregas. Se a lista tem quarenta opções e três parecem servir, a pessoa escolhe a mais genérica, que é a escolha segura para quem não quer errar o código.

Há também um motivo de desenho. Muitas listas foram montadas para satisfazer o cliente e a integração, não para explicar a causa. Elas têm o código que o embarcador exige no retorno do arquivo, e nada além. O motorista, única pessoa que viu o que aconteceu, não tem onde colocar o que viu.

Uma coisa impopular

Aumentar a lista de códigos costuma piorar. O que funciona é menos código com um campo de causa obrigatório, não quarenta códigos.

O que a ocorrência mal registrada custa

Quanto custa, de verdade, uma reentrega?

  • Mesma rota, mesmo veículo, mesma pessoa, resultado igual
  • Sem causa registrada, a transportadora não consegue negociar com o remetente as condições que geram o insucesso
  • Ela absorve o custo de um problema que nasceu na origem, e absorve porque não tem como demonstrar
  • Entrega que falha por culpa do destinatário conta igual à que falha por culpa da operação, então o indicador de prazo mistura desempenho com circunstância

Onde isso devolve dinheiro

Na conversa com o embarcador, não na operação

Uma transportadora que chega ao cliente dizendo “as suas entregas dão muito trabalho” perde a conversa. Uma que chega com o corte por causa muda a conversa: quantas tentativas falharam por janela incompatível, quantas por endereço incompleto, quantas por ausência de agendamento. Isso muda a natureza da reunião. Deixa de ser reclamação e vira proposta: ajuste a janela, complete o cadastro, ou aceite a cobrança da segunda tentativa, que entra no faturamento de frete como taxa acessória.

Esse é o argumento que sustenta reajuste de tabela sem discussão de preço, porque ele não fala de preço. Fala de condição de operação. E antes de reajustar qualquer linha, vale conferir onde está o piso mínimo do frete: desde 2026 ele barra a geração do CIOT, e a conversa com o embarcador muda de tom quando o número tem norma atrás.

Onde isso não chega: cliente grande com poder de barganha vai ouvir e não mudar. O registro continua valendo, porque pelo menos a transportadora passa a saber quanto aquele contrato custa de verdade antes de renová-lo.

o que a operação registra hoje cliente ausente CAMPO 1 Resultado não concluída o cliente precisa saber CAMPO 2 Causa janela até as 11h só existe no local CAMPO 3 Responsável remetente quem paga a 2ª tentativa três toques em vez de um
Motorista sentado na traseira de uma van carregada de caixas, anotando em uma prancheta
A causa só existe onde a entrega aconteceu. Se não for registrada ali, não é registrada.

Leve isto para o embarcador

O corte que muda a conversa sobre reentrega

Reclamação não sustenta reajuste. Este corte sustenta, porque não fala de preço, fala de condição.

Ver o que o comprovante precisa registrar
  • Quantas tentativas falharam por janela incompatível
  • Quantas por endereço incompleto no cadastro do remetente
  • Quantas por ausência de agendamento prévio
  • Quantas por recusa, e o motivo declarado em cada uma
  • E quantas, no fim, a transportadora absorveu sem cobrar

Onde a Brudam entra

A ocorrência é registrada no local, com causa

O motorista registra pelo aplicativo e a ocorrência entra no histórico da carga no mesmo momento. O cliente acompanha pelo portal sem depender de ligação, e o relatório separa causa de resultado, por remetente e por região. Aplicativo do motorista e portal do cliente estão no plano de entrada.

Perguntas frequentes

O que é ocorrência de entrega?

É o registro do que impediu a entrega de se concluir como previsto: ausência, recusa, endereço não localizado, avaria, falta de volume ou restrição de horário, com data, hora e causa.

Qual a diferença entre ocorrência e insucesso de entrega?

Insucesso é o resultado: a entrega não aconteceu. Ocorrência é o registro que explica por quê. Uma entrega pode ter ocorrência e ainda assim se concluir, como no caso de avaria aceita com ressalva.

Quem paga pela reentrega?

Depende da causa e do que foi contratado. Quando a causa é do destinatário ou do remetente, a transportadora costuma cobrar a nova tentativa, mas só consegue cobrar se a causa estiver registrada.

Quantos códigos de ocorrência uma transportadora deveria ter?

Poucos códigos de resultado, com um campo de causa dentro de cada um. Lista longa faz quem está na rua escolher a opção mais genérica, que é justamente a que não explica nada.

O que registrar além do código?

A causa específica, a hora exata da tentativa e quem informou, quando havia alguém no local. O código sozinho diz o resultado; é a causa que permite corrigir o processo.

Como reduzir insucesso de entrega?

Medindo por causa e por remetente, e levando esse corte para quem origina a carga. Boa parte das causas nasce em janela irreal, endereço incompleto ou ausência de agendamento, que são condições negociáveis.

A escolha, dita sem rodeio

Continuar como está, ou registrar a causa

Continuar como está
  • O relatório diz quantas falharam
  • A causa fica na memória de quem estava lá
  • A reentrega é absorvida por padrão
  • A conversa com o embarcador é reclamação
Registrar resultado, causa e responsável
  • O relatório diz por que falharam
  • A causa é registrada onde ela aconteceu
  • A segunda tentativa tem dono
  • A conversa com o embarcador é proposta
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