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Correios ou transportadora: quando trocar no e-commerce

A escolha entre Correios ou transportadora vira em quatro pontos, e o preço da etiqueta não é nenhum deles: peso e dimensão do que você envia, densidade da caixa, volume mensal de postagens e a região que concentra seus pedidos.

Enquanto a comparação for feita por um envio avulso, os dois vão parecer empatados. E há um limite que decide sozinho, antes de qualquer conta:

30kgPeso máximo por objeto nos Correios. Com contrato, até 50 kg sob consultaCorreios · 2026
100cmMaior dimensão aceita em qualquer lado da caixaCorreios · 2026
200cmSoma de comprimento, largura e alturaCorreios · 2026

Os três são limites publicados pelos próprios Correios. Acima deles a decisão já está tomada por você: só transportadora leva. Abaixo, a escolha é econômica, e depende de quanto você envia, do formato da caixa e de para onde os pedidos vão.

Por que a comparação de frete quase nunca fecha

O caminho que todo mundo faz é o mesmo. Você abre a calculadora dos Correios, coloca as medidas de um pedido médio, liga para duas transportadoras pedindo cotação do mesmo pedido e recebe três valores parecidos. Escolhe um. Três meses depois, a linha de frete na planilha não bate com a simulação que você fez.

A simulação usou um pedido. A operação tem mil, com caixas de tamanhos diferentes, destinos espalhados e uma parcela que não é entregue na primeira tentativa.

Frete não é preço de tabela. É custo por pedido entregue.

Qual é a diferença entre Correios e transportadora

Transportadora é a empresa privada de transporte de carga. Ela emite um CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico) para cada envio, opera com tabela negociada e coleta no seu endereço. Os Correios são a operadora postal estatal: preço de tabela pública, atendimento em todo o país e serviços de linha como SEDEX e PAC.

Item Correios Transportadora
Teto de peso por objeto 30 kg. Com contrato, até 50 kg sob consulta de disponibilidade Definido em contrato, limitado pelo veículo
Dimensão máxima 100 cm em qualquer lado; soma C+L+A de até 200 cm Conforme o veículo e a negociação
Preço Tabela pública, com desconto por contrato conforme faturamento Tabela negociada por peso, cubagem e rota
Cobertura Nacional. Os serviços expressos ficam restritos às localidades elegíveis Rota própria, mais redespacho para o que está fora dela
Retirada Postagem em agência, ou coleta contratada Coleta no seu endereço, na frequência combinada
Tentativas de entrega Até três, com devolução automática depois Definido em contrato
Documento do transporte Postagem com código de rastreio CT-e emitido a cada envio

Nenhuma das duas colunas é a melhor. Elas atendem faixas diferentes de encomenda, e a maioria das lojas que crescem acaba usando as duas.

Os quatro cortes em que a conta vira

1. Peso e dimensão: o corte que não se negocia

Este é o único critério objetivo da lista. Se o seu produto mais vendido passa de 30 kg, ou se a caixa fechada tem um lado acima de 100 cm, os Correios saem da conversa por limite operacional, não por preço.

o erro mais comumMeça a caixa fechada, com enchimento, e não o produto. O item tem 60 cm, a caixa com proteção tem 78, e a soma das três dimensões estoura o teto sem ninguém perceber.

Duas pessoas segurando juntas uma caixa de papelão grande e retangular, vista de frente, contra um fundo laranja liso
A mesma caixa pode ser barata ou cara dependendo do que está dentro. É a densidade, não o peso, que decide.

2. Cubagem: a caixa grande e leve

Os dois cobram pelo espaço ocupado quando a mercadoria é volumosa e leve. Uma caixa de travesseiros pesa pouco e ocupa no caminhão o lugar de uma caixa de livros vinte vezes mais pesada. Quem transporta cobra pelo espaço, não pela balança.

PASSO 01

Meça a caixa fechada

Comprimento × largura × altura, em centímetros. Divida por um milhão e você tem o volume em metros cúbicos.

PASSO 02

Multiplique pelo fator

O fator de cubagem está no seu contrato. O resultado é o peso cubado.

PASSO 03

Compare com a balança

O maior dos dois é o que entra na fatura. Sempre.

a pergunta que economiza dinheiroPeça o fator de cubagem por escrito, na proposta, antes de assinar. Ele multiplica o volume da sua caixa e decide quanto você paga quando a mercadoria é leve. Proposta que não traz esse número deixa a conta em aberto.

Teste que leva vinte minutos: pegue os seus dez produtos mais vendidos, meça a caixa fechada de cada um e rode a conta acima. Os que saírem leves e volumosos são os que puxam a sua conta de frete para cima, independentemente de quem transporta.

3. Volume mensal: a conta que diz quando trocar

Os Correios dão desconto por faixa de faturamento no contrato. A transportadora monta a tabela olhando volume, rota e previsibilidade de coleta. Existe um ponto em que a segunda passa a bater a primeira, e não adianta procurar esse ponto numa tabela pronta: ele muda por região, por categoria de produto e por época do ano.

O ponto é seu, e a conta cabe numa planilha de uma aba:

  • Exporte os pedidos do último mês fechado, com peso, dimensões e CEP de destino. Toda plataforma de e-commerce entrega esse arquivo.
  • Peça as propostas em cima desse arquivo, não de um pedido médio inventado. Transportadora que cota mix real está mostrando como trabalha; quem se recusa também está dizendo alguma coisa.
  • Aplique cada proposta linha a linha no mesmo mês e some. São dois números comparáveis pela primeira vez.
  • Refaça com o volume que você projeta para daqui a seis meses. É nessa segunda rodada que o ponto de virada costuma aparecer.

Nenhum dos dois cobra o dobro quando você envia o dobro, e cada um deixa de cobrar em ritmo diferente. É por isso que a comparação feita uma vez, no começo, envelhece em seis meses.

4. Região: para onde os seus pedidos realmente vão

Abra o relatório de vendas e monte a distribuição por estado. É um dado que toda plataforma exporta e quase ninguém olha antes de contratar frete.

  • Concentrado num estado ou numa faixa de cidades: transportadora regional costuma ganhar em preço e em prazo, porque o pedido não sobe para um centro de triagem distante.
  • Pulverizado entre capitais e interior: os Correios seguram a cauda, porque chegam a endereços que a rota própria de uma regional não cobre.
  • Alto para poucas capitais e cauda longa no resto: é o caso mais comum, e é o que justifica usar as duas ao mesmo tempo.

A conta

A parte difícil não é a fórmula, é cruzar o mês inteiro

Quatro medidas simples. O trabalho está em aplicar as quatro nos pedidos de um mês fechado, sem se perder no caminho.

O que ter em mãos

  • O mês fechado exportado, com peso e CEP de destino
  • As medidas da caixa fechada dos dez que mais saem
  • As propostas que você já recebeu

O custo que não aparece na etiqueta

A comparação de preço trata todo pedido como se ele chegasse. Uma parte não chega na primeira tentativa, e é aí que o custo real se separa do custo cotado.

Reentrega

O veículo volta ao mesmo endereço. Nos Correios, depois de três tentativas o objeto retorna à origem e você paga o caminho de volta.

Extravio e avaria

A indenização depende de provar o que foi enviado e em que estado. Sem conferência e sem comprovante, vira palavra contra palavra.

Atendimento

Cada pedido atrasado gera contato. Some as horas da equipe respondendo “onde está meu pedido” e você tem uma linha que não está em cotação nenhuma.

Reputação

Reclamação de prazo em marketplace derruba a sua posição na vitrine. Isso custa venda futura, não frete.

O dinheiro que some

Quanto isso somou no seu último mês fechado?Se a resposta não está em nenhum relatório, ela está saindo do caixa mesmo assim.

Ver onde ele escapa

Correios ou transportadora: como decidir com dados da sua operação

A discussão se resolve com dados da sua operação, não com opinião. Separe 60 dias e divida o volume entre os dois, mantendo o mesmo mix de produtos e de destinos nas duas pontas.

Custo por pedido entregue

Somando frete, reentrega e devolução. É o único número que importa de fato.

Prazo real porta a porta

Da coleta até a assinatura. Não o prazo prometido na cotação.

Entrega na primeira tentativa

Em percentual do total despachado.

Ocorrência com causa

Sem a causa registrada, o percentual não diz o que corrigir.

Horas de atendimento

Gastas com pedido em trânsito, por semana.

Se você não consegue montar esses cinco números hoje, esse já é o resultado do teste: o problema não é a escolha do transportador, é a falta de registro do que acontece depois que o pedido sai.

O que exigir da transportadora que você contratar

Contratar transportadora resolve peso e prazo, e cria um problema novo: a informação do pedido sai do seu controle e passa a depender do que a outra empresa consegue devolver. Três itens valem estar no contrato, não no acordo verbal.

  • Rastreio com evento por etapa, e não um status genérico de “em trânsito”.
  • Comprovante de entrega digital, com quem recebeu e quando, sem precisar pedir por e-mail.
  • Fatura com o CT-e de cada envio, para você conferir peso, cubagem e rota cobrados.
Dois entregadores de uniforme azul carregando caixas de papelão na traseira aberta de uma van branca, um passando a caixa para o outro
Cada fluxo pede um transportador diferente. É aí que a pergunta deixa de ser qual contratar.

Três tipos de entrega, e por que um transportador raramente cobre os três

A loja que cresce para de ter um fluxo só. Aparecem três, e cada um pede um transportador diferente.

Fluxo O que é Quem costuma levar
Venda ao consumidor Do seu estoque até a casa de quem comprou Correios no capilar, transportadora de última milha nas capitais
Abastecimento de loja Do seu centro de distribuição até a sua loja física Transportadora de carga fechada ou fracionada, em rota programada
Compra online com retirada na loja A mercadoria viaja entre unidades suas e o cliente retira no balcão Frota própria ou transportadora contratada para transferência

Os três têm prazo, custo por pedido e volume por embarque completamente diferentes. Um transportador excelente no abastecimento das lojas costuma ser caro e lento na entrega de um pacote único no interior, e o contrário também vale.

É por isso que a pergunta “Correios ou transportadora” tem prazo de validade. Ela serve enquanto você tem um fluxo. No momento em que aparece o segundo, a resposta certa passa a ser “os dois, e mais alguns”.

Quando são vários transportadores, o problema deixa de ser a escolha

Chega um ponto em que a loja usa os Correios na cauda, uma transportadora regional no estado onde vende mais, outra para abastecer as lojas e uma quarta para o que é urgente.

A pergunta muda de lugar. Deixa de ser qual contratar e passa a ser como administrar todos ao mesmo tempo sem perder dinheiro no meio. Seis coisas passam a doer, nesta ordem:

Cotar

Pedir preço a quatro empresas por e-mail e WhatsApp, a cada embarque, e decidir pelo que respondeu primeiro. Dá para colocar todas cotando o mesmo embarque de uma vez e escolher por preço, prazo ou histórico de avaria.

Rastrear

Cada transportadora tem um site, um login e um código diferente. Seu cliente não quer saber disso, e sua equipe perde o dia abrindo abas.

Dar baixa na entrega

Saber o que foi entregue, quando e para quem, sem depender de alguém mandar o canhoto digitalizado na segunda-feira.

Registrar ocorrência

Entrega que falhou precisa de causa e de responsável, ou você nunca descobre se o problema é o endereço que a sua plataforma captura ou a rota da transportadora.

Auditar a fatura

Conferir se peso, cubagem, rota e acessórios cobrados são os contratados. É a linha em que mais dinheiro escapa, porque ninguém confere fatura de frete item a item.

Pagar o parceiro

Cada transportadora recebe pelo que de fato entregou, e não pelo que foi despachado.

Nada disso se resolve contratando melhor. Resolve-se registrando, e é aqui que entra o sistema.

Um mal-entendido comum

TMS não é só sistema de transportadora

A sigla chegou ao varejo pela boca de quem carrega, e ficou com a cara de quem carrega. É o mesmo sistema, lido de duas pontas.

Do lado de quem carrega

Emite CT-e e MDF-e, monta rota, controla frota e motorista.

Do lado de quem contrata

Cota com várias transportadoras de uma vez, acompanha a entrega independentemente de quem levou e confere a fatura antes de o pagamento sair.

A maioria dos embarcadores nunca considerou a segunda leitura, porque ninguém apresentou ela.

Ver o que o sistema cobre

O que um TMS faz do lado de quem contrata o frete

TMS é a sigla de sistema de gestão de transporte. A leitura mais comum é a da transportadora, que usa o sistema para operar a própria frota.

Existe a outra ponta. O embarcador, que é quem vende a mercadoria e emite a nota fiscal, usa o mesmo tipo de sistema para controlar os transportadores que carregam para ele. Do lado dele, o sistema junta as seis dores acima num lugar só: as cotações de todas as transportadoras na mesma tela, o rastreio independentemente de quem levou, a baixa e a ocorrência no mesmo registro do pedido, e a fatura conferida contra o contratado antes de o pagamento sair.

Um detalhe que muda o resultado: como o software TMS da Brudam nasceu dentro da operação da transportadora, ele fala a língua dos dois lados da conversa. A transportadora emite o CT-e ali dentro e o embarcador lê aquele mesmo CT-e para auditar a fatura. Não é integração feita depois, é o mesmo registro.

O primeiro item a faltar, quase sempre, é o mais barato de arrumar: o registro de ocorrência de entrega com causa. Sem ele você sabe que a entrega falhou, mas não sabe de quem cobrar.

Sem compromisso

Uma conversa antes de qualquer proposta

Trinta minutos para entender como a sua operação está montada hoje, quantos transportadores você usa e em que ponto a informação se perde. Se no fim não fizer sentido para o seu tamanho, a gente diz.

Marcar a conversa

  • Trinta minutos
  • Sem demonstração de tela
  • Sem proposta no fim

Perguntas frequentes

SEDEX é dos Correios ou de transportadora?

SEDEX é um serviço de encomenda expressa dos Correios, não de transportadora. PAC é o serviço não expresso da mesma empresa. Transportadoras têm serviços próprios de entrega expressa, com outros nomes e outra forma de contratação.

Qual o peso máximo que os Correios aceitam?

30 kg por objeto para cliente à vista. Com contrato, o SEDEX aceita até 50 kg sob consulta de disponibilidade, e o PAC aceita 50 kg físicos apenas em âmbito estadual, mediante viabilidade operacional. As dimensões máximas são 100 cm em qualquer lado e 200 cm na soma de comprimento, largura e altura.

Transportadora é mais barata que os Correios?

Depende do volume, do peso médio e da região. Para envio avulso de item pequeno e leve, o preço de tabela dos Correios costuma ser competitivo. Conforme o volume mensal cresce e a rota se concentra, a tabela negociada de uma transportadora tende a ficar melhor. A comparação só é válida com o seu mix real de pedidos.

Dá para usar Correios e transportadora ao mesmo tempo?

Dá, e é o desenho mais comum em loja que já passou dos primeiros meses. A regra de roteamento costuma ser por peso, por dimensão ou por região de destino, aplicada automaticamente no fechamento do pedido.

O que é o CT-e que a transportadora emite?

O CT-e é o Conhecimento de Transporte Eletrônico, documento fiscal que acoberta a prestação do serviço de transporte. Ele traz remetente, destinatário, valor do frete e a carga transportada. É por ele que você audita o que está sendo cobrado na fatura.

O que é um TMS para embarcador?

É o sistema de gestão de transporte usado por quem contrata o frete, e não por quem o executa. Embarcador é a empresa que vende a mercadoria e emite a nota fiscal. O sistema dela concentra cotação, rastreio, baixa de entrega, ocorrência, auditoria de fatura e pagamento das transportadoras contratadas, não importa quantas sejam.

O que é leilão de frete?

É o processo em que o mesmo embarque é oferecido a várias transportadoras ao mesmo tempo. Elas respondem com preço e prazo, e o embarcador escolhe pelo critério que definir: menor custo, prazo mais curto ou melhor histórico de entrega. Feito por e-mail e telefone, ocupa uma pessoa em tempo integral. Automatizado, a resposta volta em minutos e fica registrada para auditoria depois.

Como calcular o custo real do frete por pedido?

Some o frete cobrado, o custo das reentregas, o custo das devoluções e o valor das mercadorias extraviadas no período. Divida pelo número de pedidos efetivamente entregues, não pelo número de etiquetas emitidas. A diferença entre os dois números é o que a cotação não mostra.

Último ponto

A conta que você não faz é a que decide o seu ano

Custo por pedido entregue, prazo real, primeira tentativa e ocorrência com causa. Quem tem esses quatro números negocia frete de outro jeito.

Começar a montar esses números

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