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IA na logística: como uma transportadora usa na operação

IA na logística

Usar IA na logística, na prática, é entregar os dados que a sua operação já produz a uma ferramenta de inteligência artificial e receber de volta o que faltava: um painel montado, um padrão que ninguém enxergou, uma conta que nunca foi feita. Não depende de projeto, de TI nem de sensor novo. Depende de dado exportado e de um pedido bem escrito.

Aqui estão seis usos, o texto do pedido pronto para copiar em cada um, como preparar o arquivo para não entregar dado de cliente, o jeito de descobrir quando a resposta veio errada e o que nunca pode ser colado. No fim, um plano de cinco dias.

O que muda na prática
Como funciona hojeCom IA no seu dado
Você pede um relatório e espera dois diasExporta e pergunta agora
Olha o total do mêsVê o padrão por bairro, cliente e dia
Ninguém sabe montar o painelVocê descreve, ela monta
Motivo de ocorrência escrito à mãoAgrupado em oito causas somáveis
Custo do agregado no achismoCusto por entrega, dos dois lados
Antes de tudo

Por que quase tudo que se escreve sobre IA na logística não serve para a sua transportadora

Roteirização com trânsito em tempo real. Manutenção preditiva por sensor no motor. Previsão de demanda. São os três exemplos que aparecem em todo artigo sobre o assunto, e os três são verdade.

Nenhum deles começa na segunda-feira. Todos dependem de equipamento instalado, de anos de histórico limpo e de um projeto que uma transportadora de quarenta pessoas não vai tocar neste semestre. Quem lê esse tipo de texto fecha a página achando que IA é assunto de quem tem mil veículos.

O que dá para fazer agora é menos bonito de contar e vale muito mais. A IA funciona como o analista que você nunca contratou: alguém que abre a exportação do sistema, monta a planilha, cruza o que você pediu e devolve em minutos o trabalho que você vinha adiando desde o ano passado.

Aqui vai uma opinião que boa parte do mercado não vai gostar de ler: o ganho da IA numa transportadora média hoje não está na rota. Está no escritório, na parte da operação que ninguém filma para o vídeo institucional.

Pilha de relatórios impressos com gráficos sobre a mesa, ao lado de calculadora e notebook
O dado quase sempre existe. Ele está numa pilha que ninguém tem tempo de abrir.
A régua

IA, automação e indicador: qual é qual?

Muita coisa vendida como inteligência artificial é automação antiga com nome novo. A diferença importa porque cada uma resolve um problema diferente, e porque você vai ouvir as três palavras na próxima reunião com fornecedor.

O que éDefinição em uma fraseExemplo dentro da sua operação
IndicadorUm número que já existe no sistema, mostrado de forma legível.O percentual de entregas no prazo do mês, na tela de indicadores.
AutomaçãoUma regra fixa que roda sozinha e faz sempre a mesma coisa.Toda entrega sem comprovante há 48 horas dispara aviso para o responsável.
IALê informação sem formato fixo, classifica, calcula e escreve. Aceita pedido em português.Ler duas mil ocorrências digitadas à mão por dez atendentes diferentes e agrupar em oito causas.

O erro comum é chamar painel de IA. Painel é indicador. A IA é quem monta o painel quando ninguém na empresa sabe montar, e é aí que ela muda a vida de quem dirige uma transportadora sem time de dados.

O método

Como se pede uma coisa dessas?

Quem testa IA e desiste quase sempre desistiu do próprio pedido. Escreveu “analise minhas entregas”, recebeu um texto genérico e concluiu que a ferramenta não serve para transporte.

Pedido que funciona tem quatro partes, sempre as mesmas. Vale para qualquer um dos seis usos abaixo, e vale para o que você inventar depois.

As quatro partes
  • Quem você é. O porte e o tipo de operação mudam a resposta inteira.
  • O dado. O arquivo, com cada coluna explicada em uma linha.
  • Uma pergunta só. Duas perguntas juntas devolvem duas respostas pela metade.
  • O formato. Tabela, planilha, texto, e o que fazer quando faltar dado.
O molde do pedidocopie e adapte

Sou dono de uma transportadora de carga fracionada com 18 veículos, duas filiais e cerca de 3 mil entregas por mês. Vou anexar um arquivo exportado do meu sistema. As colunas são: [liste cada coluna e o que ela significa]. Minha pergunta é: [uma pergunta só]. Antes de responder, me diga com as suas palavras o que você entendeu do arquivo, quantas linhas ele tem e quantas ficaram de fora por dado faltando. Se algum dado necessário não estiver no arquivo, diga qual é em vez de estimar.

A última frase é a mais importante do molde. Ela é o que separa um número conferível de um número inventado com confiança.

Passo zero

O que tirar do arquivo antes de anexar?

Esta é a parte que não dá para pular, e é a que falta em quase todo texto sobre o assunto. Anexar uma planilha numa ferramenta de IA é enviar aquele arquivo para o computador de outra empresa. Depois que ele sai, saiu: não existe botão que traga de volta.

A transportadora continua responsável pelo dado do cliente mesmo depois que ele deixa a sua tela. A Lei Geral de Proteção de Dados trata isso como tratamento de dado pessoal, com ou sem inteligência artificial no meio. E a regra brasileira específica para IA ainda está sendo escrita, o que significa que estamos num terreno em formação. Terreno assim se atravessa com cuidado, não com pressa.

O cuidado custa cinco minutos e não tira nada do resultado. Padrão não precisa de nome. Para descobrir que um cliente concentra um terço das reentregas, a ferramenta não precisa saber que ele se chama ACME Distribuidora. Você troca o nome por um código, recebe a análise e faz a tradução de volta no seu computador.

Sai da planilha antes de anexar
Nome do cliente e do destinatáriovira Cliente 1, Cliente 2
CPF, CNPJ e inscriçãoapagar a coluna
Endereço completo e telefoneapagar a coluna
Nome e CNH do motoristavira Motorista A, Motorista B
Contrato e tabela do clientenão anexar
Pode ficar, e é o que responde a pergunta
Datas e horasprazo e atraso
Cidade e bairropadrão por região
Peso, volume e valormargem e ocupação
Motivo da ocorrênciacausa da falha
Placa e trechocusto por veículo
Duplique a planilha exportada, faça as trocas na cópia e anexe só a cópia. A tabela que liga “Cliente 1” ao nome real fica no seu computador.

Atenção ao campo escrito à mão

Motivo de ocorrência, observação e histórico de atendimento costumam trazer nome de porteiro, telefone de contato e número de apartamento digitados no meio da frase. Uma passada de localizar e substituir antes de anexar resolve, e é o descuido mais comum de todos.

A primeira rodada é de treinosem dado real

Antes de usar o arquivo de verdade, invente 20 linhas com a mesma estrutura da sua planilha. Cliente 1 a Cliente 5, cidades que você atende, pesos e valores redondos, algumas entregas atrasadas de propósito e dois motivos de ocorrência repetidos. Acerte o pedido com essas 20 linhas. Quando a resposta vier do jeito que você quer, troque pelo arquivo real, já com os nomes substituídos por código.

Tem um ganho escondido aqui. Nos dados que você inventou, você sabe a resposta certa de antemão. É a forma mais rápida de descobrir se a ferramenta está calculando ou chutando, e isso você nunca consegue testar com o arquivo de verdade.

Uso 1

Como montar o painel que você nunca conseguiu montar?

Todo dono de transportadora já quis um quadro com o mês inteiro em uma tela. Quase nenhum tem, e o motivo raramente é falta de dado. É que montar exige saber tabela dinâmica, e ninguém no escritório sabe.

O que exportar: o relatório de documentos emitidos do mês, em CSV ou Excel, com cliente, origem, destino, peso, valor, data prevista e data real de entrega. Na cópia que vai ser anexada, o nome do cliente já virou código, como manda o passo zero.

Pedido 1 · painel mensalarquivo já anonimizado

Anexei os CT-e emitidos no mês passado, com os clientes já substituídos por código. As colunas são: número do CT-e, data de emissão, código do cliente, cidade de origem, cidade de destino, peso em kg, valor do frete, data prevista de entrega, data real de entrega e motivo da ocorrência quando houve. Monte uma planilha de acompanhamento com quatro abas: 1. Resumo: faturamento, número de entregas, peso total, prazo médio em dias e percentual entregue no prazo. 2. Por cliente: os 20 maiores por valor, com o percentual no prazo de cada um ao lado. 3. Por trecho: origem e destino, quantidade, valor médio por kg e percentual no prazo. 4. Atrasos: só o que passou do prazo, ordenado por dias de atraso, com o motivo. Entregue em Excel com as fórmulas visíveis, não com os valores colados. Antes de montar, diga quantas linhas leu e quantas descartou.

Por que pedir fórmula e não número: com a fórmula na célula, o mês que vem você troca o arquivo e a planilha se refaz sozinha. Sem ela, você volta a pedir tudo de novo.

Teste de uma tarde

Exporte um mês e veja o que você não estava olhando

Se o seu sistema não exporta esse relatório com essas colunas, o problema aparece antes da IA. Vale conferir isso agora, com dados da sua própria operação na tela.

  • 01Entrega com data e hora reais, não com a data do lançamento
  • 02Ocorrência com motivo em campo fechado
  • 03Custo lançado na placa que gastou
Uso 2

Por que as suas entregas falham?

A resposta honesta na maioria das transportadoras é “depende de quem você perguntar”. O motivo da ocorrência costuma ser escrito à mão, em campo livre, por gente diferente. “Cliente ausente”, “ninguém no local”, “não tinha quem recebesse” e “fechado” são a mesma coisa escrita de quatro jeitos, e por isso nenhum relatório consegue somar.

Ler texto bagunçado e transformar em categoria é exatamente o que a IA faz melhor que planilha. O pulo do gato está em fazer isso em duas etapas, com você aprovando no meio.

O arquivo mais perigoso do artigo

O campo de motivo é escrito à mão, e nele aparece nome de quem recebeu, telefone do contato e endereço completo. Limpe esse campo antes de anexar, pelo próprio passo zero.

Pedido 2 · etapa 1, as categoriaslimpe o campo de texto antes

Anexei as ocorrências de entrega dos últimos três meses, com clientes substituídos por código. As colunas são: data, código do cliente, cidade, bairro, motivo escrito pelo atendente e se a entrega foi refeita. Nesta primeira etapa, não analise nada. Apenas agrupe os motivos escritos em no máximo 8 categorias e devolva uma tabela com: nome da categoria, quantos casos caíram nela e três frases originais de exemplo em cada uma, copiadas do arquivo sem alterar. Vou conferir as categorias antes de você seguir.

Na etapa 2, depois de corrigir o que estiver errado: “Agora cruze as categorias aprovadas com bairro, cliente e dia da semana, e me diga quais três combinações concentram mais casos e quanto por cento do total elas representam.”

O resultado dessa conversa costuma ser incômodo. Não é raro descobrir que um único cliente responde por um terço das reentregas, ou que a sexta-feira concentra o que a semana inteira não concentra. São dois fatos que mudam conversa comercial e escala de equipe, e estavam guardados num campo de texto que ninguém lia.

Uso 3

Frota própria ou agregada: qual sai mais caro por entrega?

É a conta que quase toda transportadora faz de cabeça e quase nenhuma faz no papel. De um lado, parcela do veículo, motorista com encargos, combustível, manutenção, pneu, seguro e o tempo em que o caminhão fica parado. Do outro, o valor pago ao agregado por viagem.

Pedido 3 · custo por entregadois arquivos

Anexei dois arquivos do mesmo período de 6 meses. Arquivo 1, custos da frota própria: placa, data, tipo de custo (combustível, manutenção, pneu, seguro, parcela, salário e encargos do motorista) e valor. Os motoristas estão identificados por código, não por nome. Arquivo 2, pagamentos a agregados: código do parceiro, data, rota, quantidade de entregas e valor pago. Anexei também as entregas realizadas por veículo e por parceiro, com quilometragem. Calcule o custo por entrega e o custo por quilômetro de cada placa própria e de cada agregado. Antes de mostrar qualquer número, liste quais tipos de custo você encontrou em cada lado e quais faltaram. Quero ver o que ficou de fora antes de olhar o resultado.

A comparação só é justa se os dois lados tiverem os mesmos custos lançados. Frota própria costuma carregar despesa que o agregado também tem, e ninguém lança: ociosidade, manutenção paga sem nota, hora do motorista esperando na doca.

Se o custo não está na placa, a conta é ficção

Quando o abastecimento não é lançado na placa que abasteceu, e a manutenção entra como “despesa geral”, nenhuma inteligência artificial resolve. Ela vai calcular com o que recebeu e devolver um número bem formatado, que está errado.

Custo por veículo não é relatório. É um jeito de lançar, e ele precisa existir antes da conta.

Sem isso, a conta não fecha
  • Abastecimento com a placa no lançamento
  • Ordem de serviço e pneu no mesmo veículo
  • Quilometragem por viagem
  • Entregas contadas por veículo, não por rota
Homem de óculos digitando no computador em escritório de transportadora, com prateleiras de caixas ao fundo
O trabalho que a IA assume é este: o da pessoa que passa a tarde transformando arquivo em resposta.
Uso 4

O que a IA lê que hoje alguém digita?

Toda transportadora recebe informação em formato de gente: a planilha que cada embarcador manda do seu jeito, o e-mail com dez pedidos no corpo da mensagem, a foto do comprovante assinado, o romaneio que chega em PDF.

Transformar isso em linha de sistema é digitação pura, e é onde a IA entrega ganho imediato. O pedido é simples: mande o arquivo que você recebeu, mostre o modelo que o seu sistema importa e peça a conversão.

A frase que evita estrago: “onde faltar informação, escreva FALTA na célula em vez de preencher com o que parecer provável”.

Repare no limite. Converter arquivo é IA. Fazer isso sozinho toda madrugada, sem ninguém pedir, é automação, e automação de verdade mora dentro do sistema, por integração. Ver como as integrações funcionam

Uso 5

As perguntas que você faria a um analista

Com o arquivo do mês já anexado, a conversa pode continuar. Pergunte uma coisa por vez, e peça sempre o caminho do número junto com o número.

São perguntas que um diretor deveria responder em trinta segundos e quase nunca responde, porque a resposta mora em três exportações diferentes. Ver as cinco perguntas de gestão

Para copiar, uma por vez
  • Quais clientes cresceram em volume e caíram em valor por kg nos últimos 6 meses?
  • Quais trechos eu rodo com menos de 60% de ocupação de peso?
  • Quais clientes têm o pior prazo médio e o maior faturamento ao mesmo tempo?
  • Em que dia do mês a emissão concentra, e quantas pessoas eu tenho nesse dia?
Uso 6

O que a operação escreve todo dia

Resposta de reclamação, aviso de atraso, procedimento de conferência, roteiro de treinamento do conferente novo, régua de cobrança. Tudo isso é texto que alguém escreve com pressa, cada vez de um jeito, e que fica ruim justamente quando o cliente está bravo.

Este é o uso mais fácil e o mais subestimado. Tem um detalhe que muda o resultado: cole dois ou três textos que você já escreveu e peça para ela seguir o mesmo tom. Sem isso, sai aquele texto de robô educado que todo mundo reconhece a três quilômetros.

Os e-mails que você colar como exemplo passam pela mesma regra do passo zero. Troque nome, empresa e número de documento por marcador antes de colar, e peça o texto com lacunas para você preencher depois, na sua tela.

Sem referência de tom
Abertura“Prezado cliente, esperamos que esteja bem”
CorpoTrês parágrafos de desculpa sem fato
Fecho“Permanecemos à disposição”
Com dois e-mails seus colados antes
AberturaVai direto ao caso e ao número do documento
CorpoO que aconteceu, quando, e o que foi feito
FechoA data em que a carga sai, com nome de quem acompanha
Comparação ilustrativa do efeito de dar exemplos do seu próprio jeito de escrever antes de pedir o texto.
Conferência

Como saber se a resposta está errada?

Inteligência artificial erra com a mesma segurança com que acerta. Ela não avisa quando não tem certeza, e essa é a diferença mais importante entre ela e uma planilha.

As cinco conferências que pegam número errado

Levam poucos minutos e resolvem a maior parte do risco.

01

Peça a fórmula, não o número

Com a conta na célula, dá para abrir e ver o que ela somou.

02

Confira uma linha na mão

Escolha um cliente que você conhece e refaça a conta dele.

03

Pergunte quantas linhas entraram

Arquivo de 4.000 linhas analisado como 300 é o erro mais comum.

04

Repita a pergunta em outra conversa

Mesmo arquivo, mesma pergunta, do zero. Se o número mudar, investigue.

05

Nunca peça a decisão, peça a conta

Peça a conta. “Quanto devo cobrar” é pergunta sua; “qual o custo por entrega” é dela.

A responsabilidade

O que continua sendo seu, mesmo depois de anexar

Trocar nome por código resolve a maior parte do risco, e não resolve tudo. Três coisas continuam na sua conta, e vale combiná-las com a equipe antes de a primeira pessoa anexar alguma coisa.

A responsabilidade não é transferida

Quem responde pelo dado do cliente é a transportadora, não o fornecedor da ferramenta. Contratar uma IA não move essa obrigação de lugar, do mesmo jeito que contratar uma gerenciadora de risco não tira de você a responsabilidade pela carga.

Leia o que a sua conta faz com o que você digita. Toda ferramenta conhecida tem uma configuração dizendo se o conteúdo das conversas pode ser usado para treinar o modelo. Costuma vir ligada nas versões gratuitas e desligada nas contas de empresa. Procure por ela antes, não depois.

Decisão sobre pessoa não se terceiriza para máquina

Reprovar um motorista, recusar um cliente ou cortar um agregado com base no que a IA respondeu, sem alguém olhar, é o tipo de decisão automatizada que a LGPD permite ao titular contestar e pedir revisão. A IA aponta o padrão; quem decide assina embaixo.

Se alguém da equipe já colou dado real antes de você ler isto, o mundo não acabou. Apague a conversa, desligue a opção de treinamento, avise quem precisa saber e escreva a regra de uma linha que faltava.

A regra de uma linha
  • Nada com nome, documento, endereço ou telefone sai daqui sem virar código
  • Contrato, tabela de preço e proposta não são anexados
  • Primeira rodada sempre com dado inventado
  • Decisão sobre pessoa passa por gente antes de valer
O limite real

Todo pedido deste artigo começa com a mesma palavra: exporte

É aqui que a conversa sobre IA na logística costuma parar, e não por culpa da tecnologia. Se a entrega é confirmada por WhatsApp, se o motivo da ocorrência mora num caderno da portaria, se o abastecimento é lançado no fim do mês em uma linha só, não existe exportação que faça sentido.

A IA vai ler o que você mandar e responder com a segurança de sempre. Você não vai ter como perceber que o número está errado, porque o erro entrou antes, na hora em que o dado não foi registrado.

O que a IA faz é ler. Quem registra é o sistema. São trabalhos diferentes, e um não substitui o outro em nenhuma direção.

Antes de tentar

O seu sistema exporta isso?

Essas quatro colunas são o mínimo para qualquer pedido deste artigo funcionar. Se alguma delas não sai do seu sistema hoje, a conta que você quer fazer não existe ainda.

  • Data e hora reais da entregasai?
  • Motivo da ocorrência em campo fechadosai?
  • Custo por placasai?
  • Valor do frete por documentosai?
O plano

Cinco dias, uma coisa por dia

Ninguém precisa de projeto para começar. Precisa de uma hora por dia durante uma semana, e de aceitar que a primeira tentativa vai sair torta.

Segunda

Exporte e limpe

Um mês de dados. Na cópia, nome vira código, como no passo zero.

Terça

Treine com 20 linhas falsas

Acerte o pedido sem expor nada e veja se ela calcula ou chuta.

Quarta

Peça o painel

Agora com o arquivo real e limpo. Confira uma linha na mão.

Quinta

Ataque as ocorrências

Pedido 2, com a aprovação das categorias no meio.

Sexta

Mostre e anote o que faltou

Leve ao gerente. A lista de dados que não existem é o resultado mais valioso da semana.

Essa lista de sexta-feira costuma ser curta e desconfortável. Ela é o verdadeiro diagnóstico da operação, e nenhuma consultoria entregaria mais barato.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre IA na logística

Preciso pagar por alguma ferramenta de IA?

Para escrever texto e responder pergunta simples, a versão gratuita das ferramentas conhecidas resolve. Para anexar planilha grande, gerar arquivo em Excel e manter uma conversa longa com o mesmo arquivo, costuma ser preciso a versão paga, na faixa de uma assinatura mensal por pessoa.

Dá para ligar a IA direto no meu sistema, sem exportar nada?

Dá, por integração via API, e é para onde o mercado está indo. Só que isso é projeto, com prazo e fornecedor. A exportação manual entrega resultado nesta semana e não depende de ninguém autorizar nada.

A IA pode errar o número?

Pode, e com frequência maior do que parece. Ela erra principalmente quando o arquivo é grande, quando há linha com dado faltando e quando a pergunta tem duas perguntas dentro. Peça a fórmula, confira uma linha à mão e pergunte quantas linhas ela leu.

Posso anexar uma planilha com dados dos meus clientes?

Só depois de tirar o que identifica pessoa. Nome, CPF, CNPJ, endereço e telefone viram código ou saem da planilha, e a tabela que faz a tradução fica no seu computador. Vale lembrar do campo escrito à mão: motivo de ocorrência e observação costumam ter nome e telefone digitados no meio da frase, e é o descuido mais comum.

Usar IA na transportadora fere a LGPD?

Usar não. Entregar dado pessoal de cliente, destinatário ou motorista para uma ferramenta de terceiro sem cuidado, sim, pode ferir. A lei trata isso como tratamento de dado pessoal com ou sem IA no meio, e quem responde continua sendo a transportadora. Trabalhar com dado anonimizado resolve a maior parte, e é o que este artigo recomenda em todos os seis usos.

Dado inventado serve mesmo para testar?

Serve, e é o melhor jeito de começar. Vinte linhas com a estrutura da sua planilha bastam para acertar o pedido sem expor nada. Tem um ganho extra: como você inventou os números, sabe a resposta certa de antemão e consegue perceber na hora se a ferramenta está calculando ou chutando.

Alguém da equipe já colou dado real de cliente. E agora?

Apague a conversa, desligue nas configurações da conta a opção que permite usar o conteúdo para treinar o modelo, avise quem responde por proteção de dados na empresa e escreva a regra que faltava. Depois disso, a conversa deixa de ser sobre o episódio e passa a ser sobre o combinado da equipe.

IA substitui o TMS?

Não. A IA lê o dado que já existe e não registra nada. O sistema é quem faz o dado existir: a emissão, a ocorrência, a entrega com hora, o custo na placa. Sem esse registro, a IA analisa o vazio com muita elegância.

Minha equipe não é de tecnologia. Isso funciona mesmo?

O pedido é escrito em português, como se você estivesse explicando para um funcionário novo. Quem sabe explicar a própria operação já sabe a parte difícil.

Serve para transportadora pequena?

Serve mais, inclusive. Empresa grande tem analista para montar planilha. Transportadora de dez a cinquenta pessoas não tem, e é exatamente essa lacuna que a IA preenche por assinatura mensal.

A IA é tão boa quanto o dado que você entrega a ela

O teste que vale é este: exporte um mês da sua operação e veja se as colunas necessárias estão lá. Se estiverem, você tem uma semana de descobertas pela frente. Se não estiverem, você acabou de achar o problema.

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